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OS PRIMEIROS ADEPTOS DO CINE ÉDEN .

Paulo Andrade Magalhães Magalhães para Turma de Ipiaú

Foto de Paulo Andrade Magalhães Magalhães.

OS PRIMEIROS ADEPTOS DO CINE ÉDEN – 1928
(Em Portas do Éden)

Foto de Paulo Andrade Magalhães Magalhães.

O evento se refere à visita do deputado estadual Dr. Feminiano Saback, em 1928, para discutir a elevação do Distrito à categoria de Sub-Prefeitura e adoção oficial da denominação. O registro fotográfico foi feito na frente do casarão do imigrante italiano Giuseppe Miraglia, na Praça Rui Barbosa, cujo encontro ocorreu na SALA DO CINE ÉDÉN, que desde 1927 acolhia atividades culturais e de entretenimentos do povoado, como também as solenidades sociais e políticas.

Entre as mulheres sentadas, a 3ª da esq. p/ dir. é Edith Almeida (mãe de Bel Almeida) e a quarta é Leoclice Barreto (irmã de Gildésio Barreto, figura histórica do Ginásio Rio Novo e filho de Permínio Barreto, um dos fundadores de Ipiaú). É interessante notar a atitude cênica, com os homens de um lado, as mulheres de outro, um tranquilo cachorro, e as bandeirolas dependuradas. Todas as elegantes senhoras e senhoritas da sociedade local estão vestidas com figurinos avançados, atentas ao modismo europeu: cintura mais abaixo da altura dos quadris, e pernas cobertas por meias; cabelos curtos “à la garçonne”. Outro detalhe observável é que todas estão sem colares ou gargantilhas, ausentes também os chapéus, sobretudo para os homens. Demonstra a discrição e o caráter formal da solenidade.

A imagem é significativa, pois se assemelha à conduta moderna das feministas cariocas e paulistas, numa época em que a mulher era excluída dos direitos políticos, sem poder votar ou concorrer a cargos eletivos. O homem era o possuidor do pátrio poder, sendo, portanto, o chefe da sociedade conjugal. A mulher era sua colaboradora, dependendo da autorização do marido para a prática de atos da vida civil. Educadas para reconhecerem a superioridade masculina, as ipiauenses Integralistas, em um gesto de transgressão social, desafiaram a autoridade policial em 1936, ameaçando despirem-se de suas camisas verdes em público. No final dos anos 50 surgiu uma BANDA MARCIAL DE MULHERES; nos anos 60 três vão aderir à LUTA ARMADA; e nos anos 80 foi formado o primeiro time de futebol feminino: “AS PANTERAS”. Agitariam ainda na parte cultural.

Nas três imagens veem-se os membros de grupo sociais partilhando dos mesmos indumentária, gestos e poses. O ato de posar, aliás, reforça o sentimento de pertencimento de convivência de classes e de grupos sociais. Consciente ou não é perceptível a construção da autoimagem destas. Uma auto representação desejada, com valores ligados à identidade e à diferenciação social. Sentado da esq. p/ a dir. o 8º é José Maron, o 10º é Arthur Duarte o último é José Assis. O 3º da dir. p/ esq. é Joseph Miraglia, fundador do Cine Éden e o primeiro programador cultural de Ipiaú.

A terceira imagem de 1929 é a “FILARMÔNICA ALBERTO PINTO”, após uma sonorização de um filme no CINE ÉDEN. Ao centro da imagem empunhando um bombardino é Nelson Almeida da “CASA DE FERRAGEM A NORMA”, ainda em atividade. Na segunda fileira da dir./ p esq. a quarta pessoa é D. Zizinha Nogueira.

As duas primeiras imagens compõem o acervo particular de Bel Almeida. A última pertence à Norma e Nelsinho Almeida.

Foto de Paulo Andrade Magalhães Magalhães.

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