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PF encontra indícios de crime de corrupção contra Temer.

Supremo Tribunal Federal recebeu relatório parcial das investigações.

POR SERGIO FADUL E CAROLINA BRÍGIDO

Rocha Loures era identificado em Brasília como uma pessoa próxima de Temer, de quem foi assessor. – Divulgação/Rodrigo Rocha Loures.

BRASÍLIA — O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu relatório parcial das investigações da Polícia Federal no inquérito do qual o presidente Michel Temer faz parte. Para os investigadores, houve crime de corrupção. A conclusão leva em consideração, além dos indícios e de outras provas, duas conversas entre o diretor da JBS Ricardo Saud e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures que já foram periciadas e ajudam a reforçar os indícios de crime.

Procurada, a Polícia Federal não comentou o relatório e nem quis se manifestar. Foi pedido ainda um prazo adicional de cinco dias para apresentar uma conclusão sobre o crime de obstrução de Justiça. Esse tempo será usado para concluir a perícia no audio da gravação do dono da JBS Joesley Batista com o presidente Temer. A PF teria optado por ser mais cautelosa nesse ponto.

O prazo inicial dado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, foi de dez dias. Depois, a pedido da PF, foram concedidos mais cinco dias. Agora, o ministro vai decidir se estende ainda mais o prazo.

JANOT OPINA CONTRA ARQUIVAMENTO

Também nesta segunda-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contrário ao pedido de arquivamento do inquérito que tramita no contra o presidente Michel Temer na corte. O pedido foi feito na semana passada pela defesa de Temer, com o argumento de que não havia elementos probatórios mínimos na investigação para justificar a apresentação de denúncia.

O procurador-geral argumentou, no entanto, que só vai analisar o pedido mais a fundo quando receber a conclusão das investigações da Polícia Federal. Com o material em mãos, Janot vai decidir se arquiva ou se apresenta denúncia contra Temer perante o STF.

 

“Assim, considerando que os autos do inquérito ainda não aportaram a esse Tribunal — já que ainda não foi finalizado o prazo assinalado, a Procuradoria-Geral da República aguardará o recebimento das peças de informação para analisá-las, juntamente com os argumentos aqui expendidos”, escreveu o procurador.

A defesa de Temer entrou hoje com uma ação por calúnia, injúria e difamação contra o dono da JBS, Joesley Batista, na 12ª Vara Federal de Brasília. O motivo é a entrevista concedida pelo empresário à revista “Época”, na qual acusa Temer de chefiar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. Segundo o entrevistado, Temer não fazia cerimônia para pedir-lhe dinheiro em nome do PMDB e que o presidente articulava uma campanha para estancar a operação Lava-Jato.

Michel Temer também divulgou, nesta segunda-feira, um vídeo nas redes sociais no qual diz que “criminosos não sairão impunes”. Ele não citou o empresário Joesley Batista.

A delação que compromete o presidente
Joesley Batista, dono da JBS, fez acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e ajudou a revelar um esquema de pagamento de propinas que envolveu Michel Temer
A JBS É A MAIOR PRODUTORA DE PROTEÍNA ANIMAL DO PLANETA
Joesley negociou pagamentos a políticos em troca de favorecimento para sua empresa, a JBS
Joesley Batista
(Dono da JBS)
GRAVAÇÃO
Joesley gravou Michel Temer em um diálogo onde o presidente indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS).
Joesley também disse a Temer que era necessário manter um bom relacionamento com Eduardo Cunha, inclusive com pagamentos ao operador Lúcio Funaro para que ambos ficassem calados.
PROPINA
MESADA
Diante da informação, Temer incentivou:
Michel Temer
(Presidente)
INDICAÇÃO
Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo
uma mala com
R$ 500 mil enviados por Joesley
Rodrigo da
Rocha Loures
(Deputado afastado)
Eduardo Cunha
(Ex-deputado)
Lúcio Funaro
(Operador)

TEMER TAMBÉM FOI GRAVADO

Michel Temer é investigado pela procuradoria-geral da República, que deve oferecer denúncia contra eles nos próximos dias com base na delação dos donos e executivos da JBS.

O empresário Joesley Batista disse aos investigadores que o Temer era o destinatário final da mala com R$ 500 mil entregue a Rocha Loures. O dinheiro foi devolvido pelo ex-deputado, que também atuou como assessor da Presidência. Rocha Loures está preso.

Temer também é investigado por obstrução à Justiça. O presidente foi gravado por Joesley em uma conversa no Palácio do Jaburu, que não foi registrada na agenda oficial da Presidência. No encontro, o dono da JBS disse que estava “de bem” com Eduardo Cunha na cadeia, “todo mês”, e Temer respondeu: “tem que manter isso, viu?”. O diálogo foi interpretado pelos investigadores como uma tentativa de comprar o silêncio do ex-deputado.

 

Na mesma gravação, Joesley disse a Temer que estava “segurando” dois juízes e obtinha informações de investigações contra ele porque pagava a um procurador da República. Nas gravações, o presidente responde: “bom, bom”. Temer foi questionado por não repreender o empresário, que relatava crimes.

Temer não nega o conteúdo da conversa. No entanto, o presidente desqualifica a integridade do áudio, o que levou a gravação a ser periciada pela Polícia Federal.

Na entrevista à “Época”, o dono da JBS garantiu que a gravação não foi manipulada. Por outro lado, um perito contratado por Temer disse que, segundo uma análise preliminar, o áudio tinha “70 pontos de obscuridade”.

SÃO PAULO – O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da Lava-Jato, rebateu duramente as críticas feitas às investigações contra a corrupção feitas nesta segunda-feira pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Em sua página no Facebook, Lima afirmou que Gilmar Mendes ameaça o combate à corrupção e tenta impedir as investigações.

“Gilmar Mendes ameaça todo combate à corrupção de retrocesso. Quer impedir o Ministério Público de investigar. Quer impedir a execução da pena após a decisão de 2º grau. Precisamos resistir e fazer valer as leis e a Constituição, e não a vontade de déspotas pouco esclarecidos”, escreveu Lima.

O ministro do STF participou de um seminário do Grupo de Líderes Empresariais em Pernambuco, onde afirmou que há abusos em investigações. “Expandiu-se demais a investigação, além dos limites. Abriu-se inquérito para investigar o que já estava explicado de plano. Qual é o objetivo? É colocar medo nas pessoas. É desacreditá-las. Aí as investigações devem ser questionadas”, disse Mendes.

Pouco depois da palestra, Lima já havia feito um primeiro comentário nas redes sociais: “Quando Gilmar Mendes fala contra a Operação Lava Jato, tenho a certeza que ela está no caminho certo.”

O presidente Michel Temer

Gilmar Mendes, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citou como exemplo as investigações contra os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão e Marcelo Navarro, para averiguar se a nomeação de ambos se deu como troca de favores para obstrução de investigação da Operação Lava-Jato.

— Quem é que não pediu para ser indicado? Quem é que não fez lista de apoio? Agora esse infeliz, grande sujeito, bom acadêmico, bom juiz está sendo investigado. Qual é o objetivo desse inquérito? Vai levar a algum lugar? Alguém vai provar que ele negociou alguma decisão? Claro que não, mas o objetivo é constrangê-lo. E constranger o tribunal (…)

O procurador da Lava-Jato Carlos Fernando dos Santos Lima – Geraldo Bubniak / Agência O Globo

 

 

Mas felizmente na Bahia, existem muitos políticos corretos e competentes. Porque não um presidente baiano em 2018?

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