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Edvaldo Santiago, o professor Tatai: Um poema de José Américo Castro.

O SOL E O HOMEM
Foto de José Américo Castro.
O Sol nasce.
O Homem nasce.
Desperta em arte e memória iniciando a sua historia.
Missão.
O Sol ilumina, traz o dia, irradia, esblandece.
O Homem obedece, faz o que lhe é capaz e merece. Agradece.O Homem também brilha,ilumina, ensina… É reflexo.

Tatai, alfaiate, professor, filosofo, advogado, doutor Edvaldo Santiago, elemento raro e grandioso, debaixo da luz solar.

Venceu dificuldades, resignou-se diante do que não foi possível, compreendeu que Deus não desampara, pois é Pai Eterno.

E terno Tatai sempre foi.É.

Preparou-se pra vida, deixa escrita uma historia de Paz. Bom pai, bom marido, conselheiro, amigo, obreiro.

Semeou o bem, colheu belas flores, conectou-se com o divino, se fez lindo em sua essência, ciência de muita grandeza.

Preparou-se. Prepara-se.

A travessia requer maestria e o marinheiro é capaz de conduzir o barco ao seu destino.O navegante é só concentração, mas sabe quem lhe navega é o mar.

”É ele quem lhe carrega como não fosse levar”.

Tatai, bem lhe cabe, agora, o que canta Paulinho da Viola:

“E quanto mais remo mais rezo/Pra nunca mais se acabar/Essa viagem que faz/ O mar em torno do mar”.

Vento em polpa, concentração, conexão, desprendimento, preparação. Espiritualidade em alta. A casa do pai.

De Leste a Oeste, do Oriente ao Ocidente, o Sol faz sua trajetória luminosa. Nascente e poente. Nasce e renasce, cumpre sua missão.

Assim é o Homem.

Ipiaú,03 de setembro de 2017.

No livro “64 -Um Prefeito, a revolução e os jumentos”  o autor, Euclides Teixeira Neto, registrou uma das muitas definições sobre Edvaldo Santiago, o professor Tatai:
“…Veio ele das camadas incógnitas da pobreza, daquela pobreza que mata menino na primeira idade, de fome, de doença, abandono. O destino salvou-o certamente. Tatai carrega fama leal. Aprende a arte de alfaiate. Chega a Ipiaú, rapaz ainda, instala tenda de costura. De pernas cruzadas, alinhavando bainha, pregando botões, pedalando máquina. Anos. Enquanto cursa o normal. Diploma-se professor primário. Leciona. Matricula-se na escola de filosofia Itabuna, tempos a fio, viajando noites nas estradas destemperadas de cem quilômetros, que valem trezentos. Nova diplomação, mais cursos de especialização. Ninguém melhor para dirigir o Ginásio Agrícola. Quem melhor do que aquele menino de Nazaré, sofrido, espancado pela vida, para sentir a obra a ser implantada? Nem Anísio Teixeira, de muita ciência e socialismo, trouxe no couro a experiência de Tatai. Mestre Anísio vinha de alta burguesia agrária, respirando os sem-fins do latifúndio, Mestre Edvaldo Santiago nasceu naquele caos de miséria social. Diretor competente e amado por alunos e professores. Advogado aplicado, orador brilhante. Sou mais Tatai…”

 

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