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O jornalista William Waack foi afastado do Jornal da Globo após o vazamento de um vídeo, gravado no dia da eleição presidencial norte-americana de 2016, em que supostamente faz uma declaração racista. 

William Waack é afastado do Jornal da Globo. Jornalista é acusado de ter feito comentários racistas, fora do ar, durante cobertura das eleições americanas. Waack diz não se lembrar do episódio e pede desculpas.

A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida.

Nele, minutos antes de ir ao ar num vivo durante a cobertura das eleições americanas do ano passado, alguém na rua dispara a buzina e, Waack, contrariado, faz comentários, ao que tudo indica, de cunho racista. Waack afirma não se lembrar do que disse, já que o áudio não tem clareza, mas pede sinceras desculpas àqueles que se sentiram ultrajados pela situação.

William Waack é um dos mais respeitados profissionais brasileiros, com um extenso currículo de serviços ao jornalismo. A Globo, a partir de amanhã, iniciará conversas com ele para decidir como se desenrolaram os próximos passos.

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A jornalista Wendy Bell ostenta 5 estatuetas do Emmy; âncora foi demitida após 18 anos no ar - Reprodução/Facebook

Wendy Bell passou 18 anos cobrindo assuntos locais em Pittsburgh para a afiliada da rede ABC. Vencedora de 21 Emmys regionais, tudo foi para o ralo em março do ano passado, quando Wendy escreveu em sua página no Facebook: “Você não precisa ser profissional da polícia para descobrir quem são os assassinos de duas semanas atrás… Eles são jovens homens negros, adolescentes ou de 20 e pouco anos”. Wendy se referia à chacina de seis pessoas, incluindo uma mulher grávida e um bebê, durante um jantar de família no quintal de casa, em uma área residencial. Como pouca polêmica é bobagem, Wendy processou a emissora. Seu advogado afirmou que a cliente não seria demitida “se fosse negra” Hoje ela é colaboradora de uma revista regional da Pensilvânia especializada em negócios.

Emily Austen A repórter esportiva Emily Austen, com experiência em coberturas da NBA (liga profissional de basquete) e da MLB (liga profissional de beisebol), foi demitida da divisão da Flórida do canal Fox Sports, em junho de 2016, após disparar comentários xenófobos em um programa esportivo transmitido ao vivo no Facebook. Quando o assunto da atração foi um estudante ilegal nos Estados Unidos que se gabou no Twitter de ser um dos melhores alunos de sua um dos melhores alunos de sua universidade, Emily disse: “Eu não sabia que os mexicanos eram tão inteligentes”. Ela não parou por aí: “Vocês sabem que o carinha chinês é sempre o mais inteligente nas aulas de matemática”. Para completar, também fez piadinhas antissemitas. Prontamente, a Fox Sports emitiu um comunicado anunciando a demissão de Emily. A jornalista atualmente aproveita o tempo livre para estudar.

William Waack

Perito diz que William Waack falou ‘preto’ em vídeo que o derrubou na Globo . Uma observação técnica do vídeo que provocou o afastamento de William Waack da Globo indica que o jornalista de fato falou a palavra “preto” de forma pejorativa. Apesar da baixa qualidade do vídeo, o perito Mauricio de Cunto, em análise feita para o Notícias da TV, diz que Waack usou o termo em sua fala para o comentarista Paulo Sotero. “A má qualidade do áudio nos obriga a emitir pareceres sobre o que realmente é dito com ressalvas. Minhas observações quanto ao que é falado por William Waack a Paulo Sotero, neste momento, apontam para: ‘Preto, (né)… Preto, né?’, onde os parênteses indicam dificuldade maior de se identificar os fonemas”, declara. “É o que se percebe. Mas eu não posso afirmar categoricamente que é essa palavra. É o que parece, então por isso que eu coloco que o que ele fala aparentemente é isso”, conclui. Mauricio de Cunto é engenheiro eletrônico, mestre em fonoengenharia, escreveu um sobre gravações de voz e atua como perito em todo o país. Ele participou, em meados deste ano, da perícia oficial do áudio da conversa gravada entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, ao lado do também perito Ricardo Molina.  “A perícia é uma atividade baseada em ciências exatas, mas quando você tem muito ruído, tem uma informação que pode só aparentar uma coisa. Temos que deixar isso claro desde o início”, ressalta. Quando o vídeo foi divulgado nas redes sociais, na quarta-feira (8/11), o público em geral entendeu que Waack pronunciava as palavras “É preto… É coisa de preto, né?” antes de entrar ao vivo no Jornal da Globo, no dia das eleições  presidenciais norte-americanas de 2016. Diante da repercussão do caso, a Globo suspendeu o jornalista de suas funções no telejornal, sob a justificativa de que os comentários de Waak eram “ao que tudo indica, de cunho racista”.  O afastamento do âncora do Jornal da Globo é considerado irreversível na emissora.

Ex-funcionário da Globo e amigo afirmam que vazaram vídeo de Waack. Os dois dizem que intenção era debater racismo e que fala de Waack ofendeu. Dois jovens admitiram terem vazado o vídeo em que William Waack se prepara para uma passagem durante a cobertura da eleição de Donald Trump, no ano passado. Ele aparece reclamando de um motorista que buzina, afirmando que “é coisa de preto”.  Ele foi afastado do Jornal da Globo depois do vazamento. O operador de VT Diego Rocha Pereira, 28 anos, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, 29, afirmaram à Jovem Pan que foram eles os responsáveis por divulgar as imagens.

Ex-funcionário da Rede Globo, Diego diz que a equipe de link externo estava se preparando para a entrada de Waack com um consultor – mesmo quando a imagem não está sendo transmitida, os operadores têm acesso a ela. “Tudo aconteceu enquanto a produção estava colocando o microfone nele”, explica Diego. “Eu ainda voltei as imagens para ter certeza, não estava acreditando que ele teria falado aquilo. Fiquei tão revoltado que filmei com meu celular”, diz.

Quem divulgou o vídeo foi Robson.  “Soltei o vídeo em um grupo de líderes do movimento negro”, conta, garantindo que a intenção não era necessariamente atingir Waack. “Mas não foi premeditado essa repercussão, a ideia era mostrar para os amigos que um jornalista influente como ele também poderia ser racista”, afirma.

Segundo os dois, eles já tinham mostrado o vídeo para algumas pessoas da imprensa, mas não houve interesse.  “Chegamos a ouvir, ‘se não é do William Bonner’, não interessa”, conta Ramos. Diego conta que chegou a perder o vídeo, mas acabou recuperando. “O vídeo original ficou em um celular que perdi durante o Carnaval. Mas o Robson tinha ele em um backup, quando foi atualizar o telefone recentemente, o vídeo apareceu”,

Comentário preconceituoso
Os dois amigos afirmam que se ofenderam com o comentário de Waack e dizem que esse tipo de fala parece ser comum para o jornalista. “Ele faz o comentário de graça, tá tudo normal no estúdio, e ele fala de graça”, diz Diego. “Eu me revolto porque ele trabalha com milhões de negros dentro da Globo. Ele é o âncora, ele traz a informação, mas em volta dele tem um monte de negros trabalhando. Fico imaginando como ele é fora da câmera”, acrescenta o amigo.

Eles acham que a punição a Waack pode ter uma repercussão positiva na sociedade.  “As pessoas vão pensar: ‘olha o que aconteceu com ele, se eu tiver a mesma atitude, acontecerá comigo também’”, acredita Ramos. Diego reclama que no cenário da fala de Waack, não houve nenhuma repreensão dos presentes. “Ali estava cheio de gente, tinha coordenador, diretor de imagem, o próprio entrevistado poderia ter reclamado da ‘piadinha”, afirma.

Afastamento
A Globo afirmou que a princípio o jornalista está afastado até que “a situação esteja esclarecida” e que a partir de amanhã vai discutir as implicações a longo prazo. Diz ainda que é “visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações”. O próprio Waack ainda não veio a público para comentar o caso, mas segundo a nota da Globo ele “afirma não se lembrar do que disse, já que o áudio não tem clareza”, mas pede desculpas a quem se sentiu ofendido.

Além do afastamento do Jornal da Globo, o “Painel”, programa de Waack na Globonews, foi cancelado. O programa era apresentado desde o ano 2000 por Waack. Ele tinha acabado de ser reformulado e já tinha sido gravado em cenário novo. Não há previsão sobre se a atração vai voltar ao ar com outro apresentador. No “Painel”, Waack recebia convidados e especialistas em várias áreas para debater assuntos atuais.

A hashtag #WilliamWaack foi para o segundo lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil na tarde de hoje por conta do vídeo. “Quem trabalha na Globo e decidiu vazar esse vídeo do William Waack tem nossa eterna gratidão”, comentou um usuário do Twitter. “Vazou um vídeo do William Waack sendo racista. Eu não deveria estar chocada, mas estou”, comentou outra internauta.

Leia a nota divulgada pela Globo:

“Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida.

Nele, minutos antes de ir ao ar num vivo durante a cobertura das eleições americanas do ano passado, alguém na rua dispara a buzina e, Waack, contrariado, faz comentários, ao que tudo indica, de cunho racista. Waack afirma não se lembrar do que disse, já que o áudio não tem clareza, mas pede sinceras desculpas àqueles que se sentiram ultrajados pela situação.

William Waack é um dos mais respeitados profissionais brasileiros, com um extenso currículo de serviços ao jornalismo. A Globo, a partir de amanhã, iniciará conversas com ele para decidir como se desenrolaram os próximos passos”

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