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A liberdade é fundamental, mas a corrupção jamais!

 

Um texto antigo, mas cada vez bem mais atual.

Geraldo-Vandre

Uma opinião.

“A liberdade número um para a imprensa consiste em não ser ela uma indústria”. Karl Marx (1818-1883).

 

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Nós temos assistido neste momento uma intrigante união de interesses e pontos de vista. Estão ocorrendo reuniões da oposição (DEM) e da mais ou menos oposição (PSDB) com o governo federal. Mas não precisa ficar assustado minha gente, o Brasil não esta em crise, nem vai à guerra contra a Bolívia.  E somente os de sempre se reunindo com o presidente da republica para dividir o bolo e combinar os resultados das próximas eleições {brincando de Deus} e principalmente quem será os candidatos a candidatos a Presidente em 2018. Para facilitar as coisas, para os eleitores, eles estão acertando bem antes quem serão os candidatos em 2018.

 

Tudo já esta previsto, tudo já esta programado nos seus mínimos detalhes. Bem só falta avisarem o povo e os políticos de segunda classe. Mas o Brasil e um país do futuro, o seu povo não se esquece.

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Por isso não se esquece do seu passado. Sim, há muitos anos atrás em 1958 na Copa do Mundo na Suécia um fato semelhante ocorreu. O Dinâmico e brilhante Técnico da seleção Brasileira Vicente Feola (o dorminhoco), numa preparação para o jogo Brasil e Rússia, dizia o seguinte para os jogadores, quando fazia a preleção imediatamente antes do jogo contra a Rússia: “olha, a bola é passada pro Garrincha na direita, ele vai até o fundo do campo cruza e o Pelé entra na área e manda pro gol. E perguntou tudo bem, moçada”? Bem lá no fundo do vestiário, como sempre há um desmancha prazer, que estragou o papo legal, como uma celebre pergunta: “Seu Feola tudo bem, mas nos já combinamos isso com o adversário, com os russos?” Se Vicente Feola ou Garrincha estivessem vivos ouviríamos esta pergunta de novo: Vocês já combinaram com os eleitores.

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Outra lenda, ou verdade para ninguém se chatear: Garrincha, não começaria a competição como titular. O técnico Vicente Feola não se contentou com o desempenho do jogador (ponta) na goleada por 4 a 0 sobre a Fiorentina e colocou Joel contra a Internazionale: outro 4 a 0. Garrincha saiu do time por um lance em que, depois de estabelecidos os três a zero, driblou o goleiro, esperou o zagueiro alcançá-lo, driblou novamente e tocou para o gol vazio. Feola estava preocupado que “o ponta direita” não tivesse a seriedade exigida em uma Copa. Mas sempre há o problema apontado por Garrincha a Feola.

Vicente Feola

Não custa lembrar: Feola, orientando o maravilhoso time que teve nas mãos em 1958, explicava como as coisas deveriam ocorrer. Zito pegaria a bola na intermediária, entregaria a Didi, que acionaria Garrincha. Este, então correria para a linha de fundo, cruzaria, e Vavá faria o gol. Garrincha, tímido, mas sábio, perguntou: “Seu Feola, e isso está combinado com o João?”- João era como Garrincha chamava todos seus marcadores. No caso da ditadura, o João não estava combinado. A intelectualidade e os estudantes, cedo, muito cedo, começaram a se rearticular, depois da quase perplexidade pós-golpe. O teatro, já em 1965, se reanima. A ditadura censura O Berço do Herói, de Dias Gomes, e o Brasil Pede Passagem, de Sérgio Porto. Mas, quem sabe por descuido, deixa passar Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel. E também Arena Conta Zumbi, que reconstitui a luta do Quilombo dos Palmares. Os que viveram o período ainda se lembram de Upa Neguinho, de Edu Lobo, cantada por Elis Regina. Na música, no 1º Festival de Música Popular da extinta TV Excelsior de São Paulo, em 1965, Elis Regina, ela outra vez, emocionou a platéia com Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes.

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Zé Kéti entusiasma o país, a partir do show Opinião, com sua música: “Podem me prender, podem me bater, mas eu não mudo de opinião…” E Maria Bethânia, no mesmo show, cantando João do Vale, quase inventa um grito de guerra: “Carcará: pega, mata e come; Carcará: mais coragem do que home; Carcará: não vai morrer de fome…”. Geraldo Vandré, com sua Cantiga Brava, dando força ao filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos, é quase premonitório quanto aos acontecimentos do pós-1968: “O terreiro lá de casa/não se varre com vassoura/varre com ponta de sabre/bala de metralhadora”. O importante a registrar, para além de cada destaque artístico-musical, é que a atividade cultural transforma-se numa trincheira de luta, num campo de resistência, numa forma de manifestar inconformismo com a ditadura. Cada peça teatral, festival, cada show transformava-se em manifestação contra os militares. Os atores, os músicos, os homens de cultura sentiam o calor dos aplausos demorados, e sabiam que muito daquilo tinha a ver com o repúdio à situação do país.

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