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As musas que estiveram no desfile na Sapucaí, no Rio de Janeiro.

 

 

Para quem não foi no carnaval do Rio de Janeiro. Como o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, que viajou para a Europa com o objetivo de conhecer a Agência Espacial Europeia e empresas de tecnologia de segurança. O prefeito está em Frankfurt, na Alemanha, e depois seguirá para a Áustria e Suécia, com a sua comitiva.

 

Artigo: Crivella não entendeu que, para ele, carnaval não é ‘folguinha’

Prefeito divulgou vídeo no Facebook dizendo que embarcou para a Europa

Folião usa fantasia de 'Onde está Wally?' com máscara de Crivella Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Folião usa fantasia de ‘Onde está Wally?’ com máscara de Crivella – Custódio Coimbra / Agência O Globo.

RIO — O prefeito do Rio ainda não entendeu que, para ele — e principalmente para ele —, o carnaval não é feriado. Ele não pode tratar os dias mais importantes e de maior expressão internacional do calendário de eventos da cidade como “folguinha”, segundo suas próprias palavras no Facebook.

É como se o Papa decidisse enforcar o Natal no Vaticano, alegando que deixara tudo organizado para a Missa do Galo: as hóstias estavam em dia; o chão da Basílica de São Pedro, limpo; e os incensos, fumegantes. Mas nem João Paulo II, no auge da doença degenerativa, faltou à Missa do Galo.

O município é um ente federativo de uma República de regime presidencialista. No Brasil, o chefe de Estado e o chefe de governo fundem-se na mesma pessoa; um modelo que parte do presidente e se replica nos governadores e nos prefeitos. Como chefe do município, Marcelo Crivella tem, sim, a obrigação da representatividade, não apenas os deveres da governança e da administração.

Pode até recusar ser o anfitrião da Sapucaí, como muitos, no auge da impopularidade, já fizeram, mas deve estar pelo menos presente e ao alcance, no caso de sobrevir qualquer emergência — basta lembrar a tragédia dos acidentes com os carros alegóricos da Unidos da Tijuca e da Paraíso do Tuiuti, no ano passado, cujas vítimas, aliás, ele visitou no hospital.

Não estamos aqui falando de uma quermesse paroquial, mas do mais desafiador esforço logístico da cidade, do evento que nos define como polo de atração turística e pelo qual o Brasil é conhecido internacionalmente. O dono da festa pode até passar a noite trancado no quarto, mas a festa precisa ter um líder a quem se possa recorrer, caso falte gelo ou uma cortina pegue fogo, por exemplo.

Embarcar na surdina — porque ninguém faz uma viagem rumo à Alemanha, à Áustria e à Suécia sem o mínimo de antecedência — para “conhecer uma tecnologia de ponta desenvolvida pela Agência Espacial Europeia” é tratar com certo desdém o drama da população carioca, que sofre uma de suas maiores crises sociais, financeiras e de segurança pública. É uma motivação que carece, no mínimo, de solidariedade, sensibilidade e empatia diante da nossa situação calamitosa.

Estamos em festa? Sim, e também mais ou menos. Pergunte aos pequenos empreendedores que enxergam na folia uma oportunidade de virar o jogo: ao cara que leva o isopor para a rua para vender sua cervejinha e alimentar sua família; ao dono de botequim que anda desesperado com a queda de movimento em todos os outros dias do ano; aos funcionários dos hotéis que abriram as portas para a Olimpíada e viraram elefantes subocupados.

Este carnaval, talvez, tenha sido o mais importante da nossa história, como uma tentativa de provar ao mundo de que somos capazes de receber turistas, apesar das notícias de tiroteios, arrastões e corrupção — todas absolutamente verdadeiras — que nos têm representado nas manchetes internacionais.

Que o prefeito traga, como souvenir dessa viagem galáctica, uma revolucionária solução tecnológica para nossas agruras, porque a vida na Terra anda bem difícil.

E nem precisa sambar, até porque esse filme de políticos posando para fotos ao lado de passistas, enquanto perpetravam os piores assaltos aos cofres públicos, todos nós já vimos. Basta estar por perto, só para dizer: “estou com vocês, na mesma nave”. Ainda há tempo, pelo menos dois carnavais pela frente — e até o Sábado das Campeãs.

POR BRUNO ASTUTO.

Adesivos com ‘Eu não votei no bispo’ são espalhados pela Sapucaí.

POR ANCELMO GOIS

Tudo acaba em samba

O final do desfile da Paraíso do Tuiuti, já na madrugada de ontem (13/02/18), provocou o maior “Fora, Temer” ao ar livre da história desse país. Bateu de longe dois outros mal-amados da folia: Marcelo Crivella e Gilmar Mendes. No caso do prefeito, adesivos como este (à direita) foram colados nas frisas do setor 2 da Sapucaí.

Adesivo contra Crivella na Sapucaí

Já o falante ministro do STF foi alvo de muita gaiatice como a deste folião (à esquerda), que se vestiu de noiva para pedir: “Gilmar Mendes, casa comigo! Quero ficar solto no carnaval”.

Faz sentido.

Folião se veste como noiva em fantasia sobre Gilmar Mendes

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